Triste Sonolência
de perda de tempo e espaço me remexo em sujos lençóis
com minhas duvidas gangrenadas a pulsar.
O ar se enche do cheiro agridoce, agora libertado
pela fina e quase impotente brisa, da tristeza presa
por debaixo da carne que cobre o osso. O osso exige sair.
Carne e alma fundidos em um só pensamento são debatem-se
contra tal sensação. Tempo e espaço, afinal, devem ser cumprimentados
como se cumprimenta velhos amigos que
aparecem no meio do seu momento de sono.
"Entrem e acomodem-se, em breve estarei com vocês" -
diz você em sua triste sonolência.
Cumprimente-os ou sua boa cama, aquela onde comete teus vis atos,
poderá queimar como queima
esta insistente tosse em tua garganta, em teu pulmão.
Em algum ponto da extensão entre meu já dolorido pulmão e minha alma,
eu a sinto, como podem não ver? Algo de podre num reino
já tomado por podridão, diria o bom louco.
Algo de muito errado em algum ponto entre o pulmão e a alma,
entre a carne e osso revoltoso.
Algo inabitualmente errado.
Algo além da sensação de perda de tempo e espaço,
bons velhos amigos que aparecem em meio ao sono.

